O autoconsumo e a eficiência energética explicam boa parte da queda estrutural da procura elétrica em Espanha. O que significa para a sua empresa e para o sistema.
Quando a procura elétrica de um país desce, a leitura imediata costuma ser económica: menos atividade, menos consumo. Mas em Espanha há duas alavancas que reduzem a procura sem que a atividade caia, e convém distingui-las, porque significam coisas muito diferentes para uma empresa: o autoconsumo e a eficiência energética.
O autoconsumo não reduz o consumo: retira-o do contador
Esta é a distinção que mais se confunde. Uma instalação de autoconsumo não faz com que a empresa gaste menos energia: faz com que parte da que gasta deixe de ser comprada à rede.
Para o sistema, essa energia desaparece das estatísticas de procura. Para a empresa, continua lá — apenas deixou de aparecer na fatura.
Os números dão ideia da escala. Em 2022, o autoconsumo residencial em Espanha representou 1.024 MW e o industrial 1.625 MW. No conjunto, as instalações de autoconsumo geraram nesse ano 4.564 GWh, uma produção equivalente a 1,8 % da procura elétrica nacional, segundo dados da APPA Renovables.
Há aqui um pormenor técnico importante: atualmente não existe um modelo capaz de discriminar com precisão quanta procura desaparece por autoconsumo. A geração autoconsumida tem impacto direto nos dados que a Red Eléctrica regista, mas não é medida separadamente. Ou seja: sabemos que o efeito é significativo e crescente, mas não o conseguimos quantificar com exatidão.
A eficiência energética reduz o consumo real
A segunda alavanca é diferente na sua natureza. Aqui não se muda a origem da energia, mas sim quanta é necessária para produzir o mesmo.
A indústria espanhola trabalha nisto há duas décadas, e o motivo não é reputacional: a energia pesa nos custos e, por isso, na competitividade. O indicador que melhor o reflete é a intensidade energética referida à energia final:
- Ano 2000: 123,5 tep/M€
- Ano 2018: 69,8 tep/M€
É uma redução média de 3,2 % ao ano, sustentada durante dezoito anos. Dito de outro modo: hoje é necessária pouco mais de metade da energia que era precisa em 2000 para gerar o mesmo valor económico.
Porque a diferença importa para a sua empresa
As duas alavancas reduzem a fatura, mas não são intermutáveis:
- O autoconsumo exige investimento na instalação e o seu retorno depende do perfil horário de consumo. Quanto mais o consumo coincidir com as horas de geração, mais depressa se amortiza.
- A eficiência energética costuma começar por medidas de custo baixo ou nulo — ajuste da potência contratada, correção de ineficiências detetadas em auditoria, mudanças de hábitos operacionais — e reduz o consumo independentemente de quando ocorre.
Na prática, é a combinação que dá resultados: primeiro reduz-se o que se pode reduzir e só depois se dimensiona o autoconsumo sobre uma procura já otimizada. Fazê-lo ao contrário é um erro frequente e caro — acaba por instalar-se mais potência do que a necessária para cobrir um consumo que podia ter sido reduzido antes.
Uma tendência estrutural, não conjuntural
O que torna estas duas alavancas relevantes é que não dependem do ciclo económico. Uma instalação de autoconsumo continua a gerar num ano mau, e uma melhoria de eficiência não se reverte quando a atividade recupera.
Isso distingue-as das quedas de procura por abrandamento industrial, que recuperam quando a economia recupera. O autoconsumo e a eficiência mudaram de forma permanente a relação entre atividade económica e procura elétrica em Espanha — uma das razões pelas quais prever a procura do sistema é hoje mais difícil do que há uma década.
No GRUPO TREBOL ENERGIA ajudamos as empresas a ordenar estas duas alavancas pela ordem correta: primeiro medir e reduzir, depois gerar.
Pode interessar-lhe:
¿Necesitas más información?
Escríbenos y un consultor revisa tu caso. Sin compromiso.